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Release de Apresentação

Documentário sobre o exílio de JK em Paris estreia em setembro na Capital do País

Em 1964, pouco tempo depois do golpe de estado militar no Brasil, Juscelino Kubitschek (JK), tendo os direitos políticos cassados, vê-se obrigado a sair do país, e exila-se em Paris. É sobre esse momento, pouco conhecido da vida do ex-presidente, que trata o documentário, JK no Exílio, dirigido por Charles Cesconetto e Bertrand Tesson, que tem estreia prevista para setembro em Diamantina e Brasília e em outubro no Rio de Janeiro.

Rodado em Paris, Rio de Janeiro e Brasília, por uma equipe franco-brasileira, o filme torna visível um dos episódios mais dramáticos da vida do ex-presidente, e obscuro da história política do país, através de relatos de amigos, parentes e, principalmente, pelo testemunho de sua secretária, Maria Alice Gomes Berengas, exilada até hoje.

Quando o ex-presidente chega a Paris, pede a Josué de Castro, seu amigo, que o ajude a encontrar uma secretária para auxiliá-lo com as correspondências e com a escrita de suas memórias. Josué de Castro lhe apresenta Maria Alice, brasileira, casada com um francês e morando há pouco tempo em Paris.

Filha do intelectual, jornalista, diplomata e militante carioca da primeira metade do século XX, Perilo Gomes, Maria Alice passa a fazer parte da vida cotidiana de Juscelino, no apartamento-escritório, de dois quartos, do Boulevard Paul Doumer onde morava com a esposa Sarah, durante o exílio na capital francesa. Além de secretária, foi também testemunha e conselheira desse momento difícil, de profunda tristeza e apreensão na vida do Juscelino Kubitschek, pela situação do país, pela impossibilidade de regresso, pela vigilância da polícia francesa de Charles de Gaulle. JK chega a confessar, naquele momento, o desejo de suicídio em carta que escreve a um amigo.

O testemunho sensível e profundo de Maria Alice e os depoimentos de amigos e companheiros de exílio, como os de Carlos Heitor Cony e Oscar Niemeyer e da filha Maria Estela Kubitschek fazem do documentário, JK no Exílio, "um filme raro e revelador", como afirma o internacionalista e vice-presidente do Instituto Pensando o Brasil, Fábio Chateaubriand. "Podemos conhecer (com o filme) outro capítulo, até então pouco conhecido do brasileiro, da magnífica história de JK e a sua dramática vida no exílio. Um documentário fascinante sobre o homem que só pensou o Brasil." Comenta ainda, Chateaubriand.

Também os documentos inéditos são outro fator relevante no filme para esse novo olhar sobre o homem e o político JK. A produção franco-brasileira encontrou, em instituições do governo francês, como o Ministère des Affaires Etrangères e na Embaixada da França no Brasil, documentos até então desconhecidos dos brasileiros e que demonstram num estilo muito claro a atmosfera política da época. As imagens, também inéditas, encontradas nos arquivos de jornais e da televisão francesa, como a participação de Juscelino em um programa de entrevistas no Canal +5, ou outra reportagem, em que vemos JK e Niemeyer visitando uma exposição parisiense sobre a arquitetura moderna de Brasília, tornam o documentário imageticamente potente para estimular a memória política brasileira. Além dos documentos e fotos que a própria Maria Alice conservou em seu poder, como os manuscritos das memórias do ex-presidente.

A ideia do documentário é do pesquisador brasileiro e professor Carlos Alberto Antunes Maciel, que conheceu Maria Alice durante sua pesquisa na França e estabeleceu com ela uma forte relação de amizade. Essa relação de amizade e confiança foi um elemento central e representou um encorajamento para realização do filme na opinião de Charles Cesconetto. "Foi um fato importante para que Maria Alice se exprimisse com total convicção e liberdade", afirma o diretor brasileiro.

E o documentário termina de forma emocionante, com uma cerimônia no Consulado Geral do Brasil em Paris, na qual Maria Alice Gomes Berengas, recebe seu passaporte novo e sua nacionalidade brasileira é restituida. Ela havia deixado para trás todos os seus documentos, quando teve que sair fugida do país, em um navio cargueiro, ameaçada que estava pela polícia brasileira, depois de ter vindo com a família Kubitschek para o Rio de Janeiro, depois do exílio do ex-presidente em Paris. O filme é uma homenagem a JK e à sua leal secretária no exílio.

Produtora

JK no Exílio é uma co-produção franco-brasileira. Foi produzido pela produtora catarinense, GEO Filmes, em parceria com a também catarinense 2 Plátanos produções cinematográficas e com a francesa Cinérgie Productions.

A GEO Filmes é uma produtora especializada na produção de documentários, ficções, séries e institucionais, para cinema, televisão, internet e DVD, e atua no mercado catarinense e nacional há nove anos. Fundada e dirigida por Charles Cesconetto, a GeoFilmes tem como principal foco de atuação o mercado internacional, tendo produzido já diversos trabalhos neste âmbito. A 2 Plátanos é dirigida por Maria Emília Azevedo, que foi coordenadora de produção no Brasil do documentário JK no Exílio.

Mais informações no site: www.geofilmes.com.br

Sobre o diretor – Charles Cesconetto

Atua na produção cinematográfica desde 1986 como Diretor de Fotografia, na realização de curtas e longas metragens, documentários, publicidades, animações, clipes musicais e tele dramaturgias. Graduou-se em Letras pela Universidade Federal de Santa Catarina e cursou Cinematografia Avançada na EICTV, em Cuba. Em 1999 ingressou na UNISUL como professor do curso de Cinema e Vídeo e desde 2006 coordena o curso de Multimídia Digital. Atualmente, na direção da produtora GeoFilmes, se dedica à produção e direção de filmes documentários. A relação completa de sua atuação profissional e dos trabalhos realizados pode ser encontrada no seu currículo Lattes.

Mais informações: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4148739H9

Sobre o idealizador – Carlos Alberto Antunes Maciel

Graduado em Letras – Português / Francês pela Universidade Federal de Santa Catarina (1971), em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (1972), mestrado em Maîtrise Lettres Modernes – Université de Strasbourg II (Sciences Humaines) (1973), doutorado em Linguistique Française – Université de Strasbourg II (Sciences Humaines) (1975), doutorado ('Doctorat d'État' – Livre docência) em Études Latino-Américaines, e doutorado em Études Ibériques Espagnol – Université de Nantes (1994). Atualmente é professeur – Université de Nantes, membro pesquisador – Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS-ILF-UMR 6039- Nice) e Diretor do Departamento de Português da Universidade de Nantes. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Linguística, atuando principalmente nos seguintes temas: lexicologia, bases de dados textuais, estatística linguística, PORTEXT e língua portuguesa.

Sobre Maria Alice Gomes Berengas

Secretária de Juscelino Kubitschek (JK), em Paris, durante o seu exílio parisiense, nos anos sessenta. Ela é brasileira e o seu pai, Perilo Gomes, escritor, jornalista e diplomata, foi um daqueles intelectuais militantes que muito marcaram a vida intelectual do Rio e, de uma maneira geral, do Brasil dos anos 20 e 30, e mesmo depois disso (na sua condição de membro fundador do grupo da revista Ordem).

Maria Alice, trabalhando junto do Presidente, ajuda-o a redigir as suas memórias em Paris. Ela é assim ao mesmo tempo testemunha e agente, enquanto depositária dos manuscritos e também das lembranças até agora pouco conhecidos do ex-presidente.

Notícias sobre o filme